quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fred Maia - Conto III

Onírico, sonho: incerta praia luzia Luzia sobre altas nuvens. Ondas quebradas onde cabelos esvoaçavam ao vento e lentes sujavam imundas também ao vento. Olhares areia olhavam insetos insensatos pernilongando sangue doce. As paredes estalavam o silêncio da mente. A cama poesia a boca. O que pretendia? Este separar aquilo disto, quem imprime isto ou aquilo? Destacar, percebendo restar no ar, do lado de cá, nada tudo algo? Permanecem transbordados nas palavras. Ao fim dos tempos, mesmo após eles, atrelada a barbárie à alma coletiva, grupos bombardeiros tentam o entendimento aleatório. Ações desconectas moldam incautos movimentos invisíveis, palavras sábias tidas como vãs e palavras de ordem proferidas por bocas torpes chocam-se aéreas, dados reais contra a fugacidade do bom senso. No momento do raciocínio perdi o tom, a voz ecoou desesperançada em consonância com a insanidade altissonante dos estultos. O que é do silêncio que se fecha em concha? Válido universo ao recluso? Obnubilam-se os valores, vai-se a dualidade, dobra o poder do Uno. Quente basta-me a noite. O trepidar da capa do cepeú, amor meu dormindo no azul, o latido do cão ao longe, o drama sentido da aranha no subindo na parede. Mandando ver nas teclas surradas do meu três oito meia. Quanta bobagem, quanta! Até sentir chegar eterna a manhã eivada de sonho.


                                                         foto e colagem de Mércia Costa

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